agosto 11, 2024

A importância da saúde digital enquanto solução inovadora na sustentabilidade do SNS - Uma reflexão…

A importância da saúde digital enquanto solução inovadora na sustentabilidade do SNS - Uma reflexão…

Texto por: Ana Rita Leal de Nóbrega 

Enfermeira Coordenadora no 
Conselho de Gestão do CRI de Dermatologia na 
Unidade Local de Saúde Almada Seixal 
Enfermeira Especialista e Mestre em Enfermagem Comunitária

De acordo com o descrito na lei de bases da saúde, o principal propósito do sistema nacional de saúde prende-se com a garantia do direito à proteção da saúde através de um acesso atempado, equitativo e universal aos cuidados de saúde necessários por parte de todos os cidadãos, de acordo com a sua situação clínica e independentemente das suas condições económicas.

Desde a sua criação, o SNS tem progredido de forma notável na adaptação dos seus desígnios às necessidades e prioridades dos cidadãos de quem cuida, procurando responder de uma forma eficaz e o mais adequada possível.

Contudo, constatamos que o sistema de saúde atual é essencialmente um sistema desenhado para a doença, construído a meio do século passado. Apesar de até agora ter-se assistido a um imenso progresso no diagnóstico e tratamento médico, a maneira como os cuidados são administrados, não se assiste a uma mudança estrutural, profunda e emergente tanto quanto o necessário.

Acredito que esta mudança é premente para que o SNS, se torne sustentável e desta forma se possa adaptar face ao aumento exponencial de doenças crónicas, que agora representam 80% dos gastos na saúde, ao envelhecimento da população, cujo o estilo de vida adotado aumenta os fatores de risco associados à prevalência de múltiplas patologias crónicas, aos diminuídos níveis de literacia em saúde e às assimetrias no acessibilidade e equidade dos cuidados.

A combinação de todos estes fatores, associada aos níveis de produtividade e a um aumento da despesa em saúde, também ela acompanhada de um aumento progressivo do financiamento das políticas públicas através da aprovação de terapêuticas inovadoras, cada vez mais caras (biológicas, biossimilares, entre outras), faz com que, em função da previsível diminuição da população ativa, o setor da saúde em Portugal se encontre pressionado em garantir um modelo económico sustentável para o SNS.

Perante esta realidade, torna-se necessário redesenhar novos modelos de sistema de saúde de forma a conseguirmos promover a sua sustentabilidade, através de uma ponderação mais expressiva e equilibrada entre gestão das necessidades dos cidadãos, organizações e um equilíbrio na distribuição de recursos para este fim.

Neste contexto a inovação aliada à revolução digital em saúde permite-nos implementar estratégias que possibilitam a criação de um sistema de saúde futuro centrado na pessoa, enquanto cidadão cada vez mais informado e participativo no seu processo de saúde.

Este modelo de sistema de saúde, será organizado em redor das necessidades da pessoa, utilizando-se para esta organização o conjunto das potencialidades digitais (literacia digital e tecnológica, e saúde, tic, wearables, IoT,…) que a inovação engloba, possibilita um maior empoderamento e capacitação do cidadão determinante no sucesso dos cuidados.

Neste novo modelo de sistema de saúde, o foco dos cuidados incidirá nos resultados que a pessoa alcança nos diferentes momentos de cuidados sejam eles preventivos e promotores da saúde, terapêuticos, de reabilitação e/ou apoio.

Neste sentido, reconhece-se a saúde digital como um elemento fundamental para a construção da autonomia individual relativa à saúde, em grande parte devido à consciencialização que os próprios indivíduos adquirem daquilo que é a sua responsabilidade em termos de gestão da informação disponível.

Por outro lado, as potencialidades da saúde digital neste novo modelo de sustentabilidade do SNS, relacionam-se com a possibilidade que a organização apresenta de obter a informação organizada, mais acessível, informação essa por sua vez, facilitadora de processos de comunicação capazes de promover a eficiência e produtividade já que, facilitam o desempenho e minimizam o tempo despendido em atividades burocráticas, disponibilizando mais tempo para o que realmente importa, cuidado direto ao cliente adequado às suas reais necessidades. Desta forma, promovem a eficácia do cuidado, pois facilitam a tomada de decisão por parte de toda equipa de saúde.

Perante um paradigma de mudança, em que os meios tecnológicos desafiam o tempo, o espaço e o conhecimento, a saúde digital, enquanto instrumento fundamental na gestão, torna-se essencial pois possibilita compreender a complexidade das organizações e realizar, o planeamento e participação nos reajustamentos nos diferentes níveis de tomada de decisão necessários ao aumento da performance organizacional.

Acredito que as estratégias de transformação digital, pelo anteriormente descrito e através do princípio da aproximação do cidadão à saúde via resolução de desigualdades geográficas, melhoria do acesso aos cuidados de saúde e garantia de um acompanhamento mais continuado e articulado entre os diferentes níveis de cuidados, com menor dispersão de recursos contribuindo assim, para uma maior eficácia, eficiência e sustentabilidade do nosso SNS.

Ana Rita Leal de Nóbrega 

Enfermeira Coordenadora no 
Conselho de Gestão do CRI de Dermatologia na 
Unidade Local de Saúde Almada Seixal 

Enfermeira Especialista e Mestre em Enfermagem Comunitária

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